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terça-feira, 21 de junho de 2011

Geração Fim do Mundo

por Samira Asis [ http://www.juventudecliche.com ]


Sou da geração "Lá vem o apocalipse"
Do amor injetável, os segundos de loucura
Das mulheres testosterona
O vicio da internet e da rapidez
Do tão famoso aquecimento global
que já sai quentinho da TV.
Sou da geração "Me olha"
O narcisismo, precocidade, o próprio umbigo
O espelho, a insatisfação, a exigência
O bisturi, esse tal de bullying,
Mas ainda tem amor pra dar e vender,
vender principalmente
Hoje se compra até amor pela internet.
Sou da geração "sangue no jornal"
Crime sempre houve, corpos empilhados de vez em quando
Nem mais nem menos, não mudou o vermelho do sangue
A falta desse vermelho é o desemprego do jornalista
Continua sendo assunto na fila do supermercado.
E continua a brilhar no asfalto.
Sou da geração "mulher pode tudo"
Ou quase tudo. Já tá tudo liberado.
Ou quase tudo.
Quem disse que não?
Aonde vai parar esse mundo, não sei.
A música era melhor? Se era, talvez
Comporta nossos ouvidos se quiser,
"Esse mundo está perdido"
Diz a senhora no portão.
Dois homens de mãos dadas sorriem disfarçados.
Ando na rua sem documento,
Corro risco no semáforo
Ninguém está sendo enforcado na praça.
E se eu quiser gritar no meio da rua
"Vá pra puta que pariu, seus politicos corruptos"
Volto pra casa ainda intacta.
O mundo tá realmente uma zona,
mas as palavras podem sair da minha garganta
Sem nenhum eufemismo.
Sou dessa geração próxima do fim do mundo
como todas as gerações que houveram.
Mas a liberdade continua cara,
O mundo continua violento,
As mulheres ainda lutam pela independencia.
Nunca tá bom demais,
E o ar continua pesado,
o alimento continua caro.
E temos que pagar para respirar
E temos que pagar para morrer.

Mentira: O Analgésico do Século XXI

ESCRITO POR JÉSSICA ALBINO | 14 JUNHO 2011 [ http://www.juventudecliche.com ]

Vivemos uma sociedade onde se mente o tempo todo: para conseguir atestado médico, para engambelar o professor, ao gazear uma aula, para sair mais cedo do trabalho, para conquistar aquela pessoa mais rápido e... O triste mesmo não é quando mentimos para outras pessoas. É quando mentimos para nós mesmos.

Criamos o hábito de mentir. Nos entregamos à tentação das "mentirinhas inocentes por uma boa causa". Mentimos quando alguém inconveniente liga para a nossa casa e pedimos para quem atender em nosso lugar dizer que não estamos. Mentimos quando dizemos para nossas crianças que o Papai Noel só traz presentes para crianças que se comportaram direito. Concordamos quando na verdade queremos discordar. Engolimos quando queremos desabafar. Sofremos com a dúvida quando nos calamos para poupar o outro. Bradamos "Está tudo bem!" quando nada está. Encenamos papéis sociais.

Não abrimos mão de nossas humanidades, mas de parte da nossa liberdade de ser, sentir e agir quando mentimos por conveniência. Por que temos que fingir tanto? Que somos felizes no trabalho, nos relacionamentos, no amor e na vida? Se somos, que bom. Mas e quando não somos? Qual é o mal que existe em permitir-se sofrer de vez em quando? Sabe, sair do pedestal, descer do salto alto, experimentar do "ser" humano vez em quando...

Por que escolher profissões por seu retorno financeiro? Por quê tomar atitudes por recomendação alheia? Porque mudar a cor ou o corte de cabelo porque alguém lhe disse que deveria? Por quê querer agradar e fazer parte de um todo que só te aceita se você mudar e não você sendo do jeito que é? Por quê queremos ser parte de um rebanho, inclusos na sociedade e em tudo o que ela determina, nem que pra isso tenhamos que deixar de lado todos os nossos verdadeiros sentimentos? Será que vale a pena enganar a si mesmo pra satisfazer o próprio ego ou o desejo de outras pessoas? Por quê essa insistência em vender uma imagem de perfeição constante para os outros? Medo de rejeição? Insatisfação consigo mesmo? Para quê tudo isso? Para viver uma vida pela metade de maneira frustrada, só pra ser “politicamente correto” ou “igual à maioria”? Para depois de tudo perceber que errou e, para conseguir viver em paz consigo mesmo, ter de mentir mais um pouquinho?

Quantos casamentos se arrastam longos anos a fio, sem amor e por conveniência? Quantos amores verdadeiros deixamos de viver, com medo do julgamento dos olhos preconceituosos dos outros ou por simplesmente termos nos prendido a uma única pessoa cujo a recíproca nunca foi verdadeira ou à altura? Por que nos maltratamos tanto? Por que nos enganamos dessa maneira? Por quê usamos a mentira como analgésico em vez de usar a verdade como um mertiolate que arde e dói, mas que cura? Por que ouvimos as vozes de todos, opiniões para lá e para cá, mas não ouvimos a mais importante de todas, a NOSSA VOZ? Por quê? Por quê? Por quê?

Essa noite encerro as divagações sem as respostas que queria ou alguma opinião formada porque não quero formular qualquer conceito para tapar o buraco e amortecer minhas dores. Deixa doer. Um dia a verdade cura. A verdade e nada além da verdade. Ou será que o ser humano tem medo dela?